Seres tecnológicos: Como a tecnologia transformará o futuro da humanidade?

“O futuro acontece continuamente à nossa volta, e não é algo que chega até nós do passado, mas que acontece quando conseguimos capturar um pedaço da nossa imaginação e transforma-lo em realidade.”

Somos seres tecnológicos. A tecnologia, desde os tempos do Australopithecus, nosso mais antigo ancestral na escala evolutiva, nos definiu enquanto seres humanos. Afinal, o que seria de nós sem o fogo e a linguagem? A partir daí, passamos por diversas transformações através da história, todas elas motivadas de uma forma ou de outra, pela tecnologia, como explica Sílvio Meira, Fundador do CESAR e CIO (Chief Imagination Officer) da Much More.

Passando pelas revoluções na agricultura no período neolítico, a gestão de cidades de Alexandre o Grande no séc. IV A.C. e até mesmo pelo heliocentrismo de Copérnico em 1543, a história da tecnologia tem se misturado à nossa própria história, através da qual repetidamente, construímos o futuro, apesar de sempre terem existido, como cita Sílvio, os ‘seres humanos resistentes a fatos’, ou seja, aqueles que se recusam a aceitar a inovação e os benefícios que se originam dela. “A tecnologia se confunde com a humanidade, e as mudanças na tecnologia são revoluções na humanidade.” ressalta Sílvio.

Há cerca de 200 anos, a primeira Revolução Industrial causou um grande impacto nas relações de trabalho, aumentando a produtividade a um volume de 0,3% ao ano, por 50 anos consecutivos. A incorporação da eletricidade nas fábricas, ampliou esse número para 1,16% ao ano, entre 1890 e 1915. Mas este fator, somado à instauração do regime de produção fordista, que reorganizou as configurações de trabalho, mais do que dobraram a produtividade, que tornou-se de 2,5% ao ano, de 1915 a 1930. Ou seja, apenas a tecnologia não é suficiente para maximizar o potencial de progresso, é preciso toda uma disrupção criativa no modelo, afirma Silvio Meira.

A primeira revolução da Informática, começou a ser instaurada no Brasil por volta de 1977, explica ele, e demorou quase 20 anos para que seus efeitos começassem a ser vistos no mercado, em 1995, causando um aumento da produtividade de 0,6% ao ano por 10 anos consecutivos, até 2005. Já a Revolução chamada de Robótica, cuja tecnologia é a que predomina na maioria das fábricas atualmente, causou um aumento de produtividade de 0,4% ao ano, entre 1993 e 2007. Silvio explica que esses números podem parecer baixos em decorrência do esforço que precisa ser colocado na implantação de uma nova tecnologia até o ponto em que ela gere aumento da produtividade.

Sobre o assunto, ele ressalta que a partir de agora, tecnologias como IoT, Big Data, Machine Learning e algoritmos genéticos e generativos, elevarão os índices de produtividade no trabalho de 0,8% a 1,4% ao ano nos próximos 50 anos. Entre esses itens, ele destaca o campo da genética, liderado por países como China e Estados Unidos e no qual o Brasil ainda possui baixos níveis de atuação. O especialista cita 3 subáreas fundamentais da genética que já estão em curso:

→ A primeira área ou geração, chamada de genética analítica, já é utilizada comumente, e realiza análises genéticas indicando os tratamentos adequados.

→ A segunda área ou geração, chamada de edição genética, permitirá a edição de embriões antes do seu nascimento, retirando doenças, e estará disponível daqui a cerca de 25 anos.

→A terceira área ou geração, chamada de genética aditiva, estará disponível daqui a cerca de 50 anos e será capaz de realizar melhorias genéticas nos seres humanos.

Todas essas evoluções necessitarão de profissionais capacitados para lidar com essas tecnologias, profissionais estes que como ressalta Sílvio, ainda estão em falta no mercado.

Sílvio prevê que daqui a cerca de 50 anos, a aprendizagem de dimensões computacionais (aquela baseada apenas na retenção de informações, como o ensino de português, matemática e física, por exemplo) será realizada através de downloads, e as escolas se tornarão ambientes de aprendizado de outras capacidades, relacionadas às dimensões socializante e autônoma do ser humano, nas quais aprenderemos habilidades como a empatia e o comportamento adequado em sociedade.

Sobre os problemas aos quais a humanidade precisa resolver, Silvio cita os mais distantes, como o envelhecimento do sol, e um cada vez mais alarmante: O aquecimento global. Problema este que, como frisa ele, necessitará urgentemente da força de trabalho e inteligência de dezenas de milhões de pessoas.

E sobre as profissões necessárias neste futuro, o especialista ressalta: “O futuro da humanidade sempre foi tecnológico. E terá problemas nesse processo quem não entender as leis da natureza, ou seja, a evolução tecnológica da humanidade. Existe uma natureza tecnológica da humanidade que obedece a um número muito pequeno de leis e todo e qualquer profissional necessita entender como essas leis funcionam. Eu acho que vai ser importantíssimo no futuro ter historiadores, filósofos, biólogos, ter todos os tipos de profissões, afinal, necessitaremos de todos os tipos de inteligência, com todos os afazeres possíveis e imagináveis dela, inteligências estas que precisam entender como o mundo funciona, porque a solução para a humanidade no futuro irá passar por esses fatores.” finalizou Sílvio.

Todas essas reflexões fizeram parte da provocação de Silvio Meira durante o ACONTECE Indústria: O Futuro do Trabalho, evento realizado pelo CESAR no último dia 21 de Setembro na Câmara Árabe-Brasileira, na Avenida Paulista, em São Paulo e que discutiu as mudanças que as tecnologias trarão às relações de trabalho em diferentes setores da sociedade. Saiba mais sobre o ACONTECE , acessando o hotsite do evento.

O CESAR se posiciona como provedor de soluções inteligentes e intensivas em serviços para automação da Indústria e sua jornada para o modelo Indústria 4.0. Para isso, o centro promove a transformação para a era de produtos intensivos em serviços através da visão do POETAS.IT, da requalificação de engenheiros e designers por meio da sua unidade educacional (CESAR School) e do redesenho e reconstrução de produtos, sendo uma unidade Embrapii para produtos conectados.

Fonte: medium

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