ACREDITE, RESISTA, INSISTA E PERSISTA – DETERMINAÇÃO É TUDO

Salve Caros leitores, sempre estamos aqui juntos falando sobre empreendedorismo, sobre startups e dicas para que cada um possa empreender!  E essa matéria não poderia ser diferente, porém acredito que seja uma matéria muito especial. Por que além de falarmos sobre empreendedorismo, temos uma linda história de força, vontade e crescimento de uma pessoa linda e maravilhosa! Assim como eu tive o prazer de conhecer e aprender muito com a Flávia nada melhor do que compartilhar isso com vocês! Espero que gostem, inspirem-se e aproveitem para fazer uma ótimo net work com ela! Boa leitura e vamos empreender!!!


Meu nome é Flávia Costa, tenho 37 anos e sou empreendedora desde os meus 11 anos. Como todo brasileiro comecei empreender por necessidade, em um momento delicado no casamento dos meus pais. Durante 6 meses eu consegui ajudar minha mãe financeiramente em casa vendendo geladinho para as pessoas do bairro.

Passada essa fase “tensa” dentro de casa, mesmo meus pais estando juntos até hoje, eu já havia descoberto que corria em minhas veias algo que nunca mais me deixaria sossegada: EMPREENDEDORISMO.

Aos 14 anos comecei à fazer pulseiras hippie de palha com cerâmica e vender para minhas amigas no colégio. Além de ganhar dinheiro era divertido criar. Por ser artesanal, cada pulseira era única.

Passei no vestibular com 16 anos, meus pais queriam que eu fizesse algum curso importante, como Direito ou Administração. Eu, no entanto, busca algo novo, dentro de mim havia uma certeza ensurdecedora que comigo seria diferente. Escolhi tecnologia.  A Universidade Federal de Mato Grosso tinha um curso na área de tecnologia que era período integral – o que não servia para mim, eu queria ser independente financeiramente, para que pudesse voar sozinha. Então fui cursar PRD – Processamento de Dados no UNIVAG, uma universidade privada que oferecia o curso no período noturno.

Nas primeiras semanas de aula percebi que a ‘vibe’ era aquela mesmo e que apenas fazer uma universidade não era suficiente, eu precisava ir pro mercado, me jogar em códigos fontes e fluxogramas. Antes do primeiro semestre estava empregada como secretária em uma “Software House”, não sabia nem dar sinal de Fax – lembro que a primeira ligação que atendi pedindo sinal de fax foi muito engraçada e apavorante, pedi que aguardasse um pouco na linha que eu daria o sinal e liguei para minha mãe desesperada para saber como dar sinal de fax. Ela só me disse: “Aperta o botão verde, filha.”

Logo estava brincando com Cobol, Clipper, Delphi e me tornando algo entre suporte à usuários e programadora. Embora o ambiente sempre tenha sido predominantemente masculino, os meninos da TI sempre foram parceiros e nunca sofri preconceito entre os colegas de trabalho.

Só que programar para lojistas, software de Gestão Comercial, Financeira e Contábil é muito chato, não havia “paixão”, “brilho nos olhos”! Era chato. Belo dia instalaram na empresa conexão com internet – placa de fax modem. Pronto! Foi amor à primeira conexão.

Primeiro me reuni com os donos da empresa que trabalhava e propus que a gente inovasse abrindo um novo núcleo, que iniciássemos um núcleo digital. Eles acharam legal a ideia mas internet não era a área de atuação deles.

Então pedi demissão e resolvi viver de internet. Meus pais queriam me matar e morrer (nunca soube qual a ordem do que eles queriam, mas queriam). Trabalhei no ZAZ, no TERRA, e vi a internet nascer modestamente. Eu já criava sites, gifs animados e layouts de banners. Não havia muita informação para se aprender sozinha, mas eu ia me virando, procurando, clicando e clicando até conseguir. Então em 1997, com 17 anos eu resolvi registrar na FAPESP (entenda que tudo engatinhava no Brasil, não existia o Registro.BR) o domínio webflavia.com.br

E na cara e na coragem, comprei parcelado em 36x o primeiro computador da Webflavia, um K6II 500. Uma mesa amarrada com barbante para não balançar e uma cadeira porcaria. Assim nascia a Webflavia.

No meio disso eis que eu engravido. Era 1998, eu estava com 18 anos. Colapso total! Mas a Webflavia sempre foi meu primogênito, foram noites e noites embalando, sonhando, desejando, mentalizando e idealizando minha empresa.

Nem percebi quando me tornei workaholic, nem sei se me tornei isso mesmo. Não consigo dormir depois do almoço ou ficar um dia sem ir à minha empresa – como? O mundo girando, cliente ligando ou precisando de mim e eu “de boa”? Não! Não dava conta e ainda não dou.

Em 2005 veio uma das maiores crises da Webflavia. Eu só tinha dinheiro na conta para pagar a folha de pagamento e fechar as portas. Chamei a Gráfica Print, comprei uma bi-semana com 10 placas de outdoor e coloquei todo o dinheiro da conta nisso. Para pagar os outdoor e os funcionários eu precisava vender 6 sites, naqueles 15 dias recebi mais de 32 ligações.

E todos me chamaram de louca!

Na sequencia, em 2006, percebi que apenas desenvolver site não seria suficiente para manter a Webflavia no mercado. Era preciso mais. Fui em busca de me certificar em Linux, busquei servidores fora do país e além de desenvolver os sites, eu também hospedava os domínios e iniciava o núcleo de rede social – com o Orkut, depois Twitter e assim por diante.

Todos me chamavam de louca!

Onde já se viu alguma empresa pagar para cuidar da conta de Orkut dela? Só uma louca mesmo para achar que ganharia dinheiro com isso. Bom… nos primeiros 3 meses conquistamos 10 clientes. Até hoje o núcleo de Social Media é um dos que mais fatura e atrai cliente.

Quando chegou o ano de 2008, quase no finalzinho de 2007, resolvi que até 2010 a meta da Webflavia era se tornar uma agência digital – a melhor, e não depender de vendas de site. Eu já queria dar site de graça dependendo da negociação ou da fidelidade do cliente.

Todos me chamaram de louca!

Minha empresa vivia de site e eu queria dar site? Como assim?

E foi exatamente assim! Hoje dependendo dos serviços contratados nossos clientes ganham seus sites. Eu sabia que site seria tão básico e rotineiro como escovar dentes.

Tentei parceira com algumas agências de publicidade local, tentei mais de duas ou três vezes e percebi que a Webflavia iria ousar mais uma vez. Vamos nos tornar além de agência digital uma agência de publicidade – não como as tradicionais, porque a Webflavia foi criada desde o primeiro dia para ser diferente.

Durante mais de 1 ano vários “amigos” ou “colegas” de profissão fingiam não me conhecer, passei a ser totalmente ignorada. Neste momento entrou o primeiro sócio na Webflavia, o publicitário Fernando Amaral.

Os concorrentes falavam mal, o cliente ficava com medo e o mercado resistiu por um tempo à uma agência fullservice, até que conquistamos os primeiros clientes e as primeiras campanhas conheçaram à ir pra rua (além do digital).

A Webflavia foi idealizada desde os meus primeiros pensamentos para ser uma empresa sem igual. Nada de hierarquia ou disciplina militar, eu sempre apostei numa gestão horizontalizada – o que até hoje me dá trabalho, é difícil para um profissional viciado aprender a trabalhar livre!

Ganhamos prêmios do SEBRAE-MT, fomos homenageados em Brasília pela MBC e FNQ, nos tornamos há muitos anos a única agência Google Partner do estado de Mato Grosso e até ganhamos 2 prêmios publicitários – mesmo as grandes agências tradicionais pedindo as nossas cabeças.

E todos continuavam me chamando de louca! As grandes iriam me engolir.

Ano passado, 2016, completamos 18 anos com um evento para 600 pessoas, uma maratona para empreendedores, apenas com palestrantes nacionais: Martha Gabriel, Marcelo Nakagawa, Júlio César de Freitas, Tatiana Sayuri e Candrevas. Esta era a primeira edição do Business Day, ocasião em que nos aproximamos do ecossistema de Startups e o programa MT Star do Governo do Estado de Mato Grosso foi lançado conosco.

Aqui estamos em 2017 e eu com o pensamento lá em 2018, 2020. As pessoas continuam me chamando de louca. Os clientes ficam na dúvida inicialmente, minhas ideias são disruptivas, meu comportamento é disruptivo, eu nasci fora da casinha, gente!

Estou escrevendo um livro, tenho 4 projetos mentalmente modelados, estou fortalecendo parcerias e reinventando a Webflavia.

Foi fácil?

É fácil?

Claro que não. Mas é o que eu amo fazer. E amar fazer o que se faz não é apenas fazer aquilo que se gosta, é gostar tanto do que se faz que suportamos as piores situações, os extremos, a insanidade, enfrentamos tudo por aquilo que acreditamos.

O caminho é solitário? Na maioria das vezes sim, mas eu sempre digo aos meus colaboradores: “Vamos chegar lá juntos? Porque eu vou chegar!”

Quando estou palestrando as pessoas me perguntando se no começo eu fracassei alguma vez, se eu já errei, se eu já cai e outras perguntas deste tipo, como seu eu fosse hoje A EMPRESÁRIA PERFEITA E RYCA (isso mesmo, RYCA com Y porque quer dizer muitoooooo rica).  Sempre responde que sim, claro; e ainda fracasso, ainda erro, ainda me engano com profissionais e clientes, que tenho dificuldade em fechar folha de pagamento, pagar todos os impostos, ter capital de giro, investimentos e planejamento financeiro. A Webflavia já tem 19 anos e eu me sinto como aquela menina de 17 anos comprando seu primeiro computador em 36x. Há fogo na minha alma!

Meu filho mais velho esses dias me disse que não sabe como eu consigo viver assim, empreendendo o tempo todo. Que eu sou louca, que ele não quer essa vida não.

Dei risada. Ele diz que não quer essa vida mas já trabalha na Webflavia e vive tendo ideias para empreendermos – mas ele ainda não percebeu como a alma dele também pega fogo.

Empreender é mais que acordar e ir trabalhar, é acreditar quando todos duvidam. É ter fé em si mesmo que todos te chamem de louca. É sentir uma satisfação imensa vendo meus colaboradores comprando casa, casando, formando, sustentando suas famílias.

Sim, eu sou a Flávia da Webflavia, tenho 3 filhos, 1 ex-marido, 1 namorado, 2 irmãos, mais de 30 primos, sou filha, sou comadre, sou madrinha, criei minha irmã mais nova que trabalha comigo desde os seus 14 anos e hoje é minha sócia também, possuo pouquíssimos amigos fora das redes sociais e acordo todos os dias animada, feliz – mesmo que minha conta corrente esteja negativa.

Empreender não é um esporte para qualquer um.

Eu sigo aqui, firme e forte, acreditando e projetando o futuro.

Meu cliente não sabe o que quer, preciso me antecipar e adivinhar antes dele desejar. É loucura, né? Lembre-se que eu sempre fui e sempre serei louca – porque ser louca é ser diferente do normal, e nada mais chato que a normalidade.

Se eu pudesse te dar algumas dicas como empreendedora:

  1. ACREDITE – CONTRA TUDO E TODOS, ACREDITE!
  2. RESISTA – HAJA O QUE HOUVER RESISTA;
  3. INSISTA E PERSISTA – DETERMINAÇÃO É TUDO

Quantos talentos desistiram? Quantos gênios desistiram? Eu não desisto nunca.

Flávia Costa

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