A Caminhada Desafiadora dos Mestrandos e Doutorandos – Parte 1

Meus Amigos, Eu quero compartilhar com vocês um pouco sobre a caminhada de um Mestrando ou Doutorando.  Muitos amigos meus almejam fazer um mestrado ou doutorado. Alguns querem por vocação, pelo amor a educação e pelo compartilhamento de conhecimento. Outros querem para aumentar os rendimentos na carreira pública.  E por fim, existem aqueles que querem fazer por modismo, ou seja, os amigos fazem e, Ele ou Ela deseja fazer também sem nenhuma reflexão racional. Lembre-se que, finalizar um Mestrado ou Doutorado não é simplesmente escrever uma dissertação ou tese, é preciso gerar alguma contribuição social, econômica ou sócio econômica. Para esta caminhada, algumas dimensões de nossas vidas são impactadas. Por exemplo: 1-Psicológica, 2- Social, 3-Financeira. Tudo começa na decisão em concorrer à seleção do Mestrado ou Doutorado.  Muitos não sabem o que o esperam!  Após a inscrição para a seleção, vem a ansiedade pelo resultado. Dependendo da pessoa, este momento pode ser algo sem importância, ou até mesmo uma espera de grande martírio e sofrimento, até a divulgação do resultado. Passado o momento de ansiedade e sofrimento da primeira etapa, vem agora a alegria de ter entrado no programa de pós-graduação.   É um momento único na vida!  Eu sempre digo que cada vitória tem que ser comemorada, pois são momentos únicos na vida de alguém (neste caso, de quem passou no Mestrado ou Doutorado).  Após este momento o aluno precisa passar pelo primeiro desafio burocrático. Efetuar a matricula! Em seguida, o agora Aluno de Pós Graduação entra em outra fase de sua vida –  Fazer a primeira reunião com o Orientador para traçar o plano de estudo e metas a alcançar. Se o aluno não for dedicação exclusiva, ou seja, o mesmo trabalha, vai precisar negociar com a empresa os horários, pois a maioria (quase todos) os mestrados e doutorados, as aulas são diurnas.  Esse é o Primeiro desafio!   Mas voltando ao plano de estudo com o Orientador.  Acho que esse é outro momento tão esperado. Conhecer de perto ou ter mais intimidade com a pessoa que vai passar de 2 a 4 anos te acompanhando e te orientando na pesquisa. Tudo parece bem, você começa a cursar as disciplinas que foram planejadas. O primeiro dia de aula parece um sonho!  Neste post, não vou entrar em detalhes sobre as aulas de pós-graduação, pois esse assunto daria outro debate. Principalmente se as aulas forem em universidades públicas.Contudo, a caminhada ainda é desconhecida para muitos e mesmo que alguns amigos ou colegas tentem nos alertar sobre as lições aprendidas, me parece que poucos prestam a devida atenção.  Essa matéria, será dividida em 3 partes (ou posts):       1-Psicológica, 2- Social, e 3-Financeira. Por isso, esse primeiro post será sobre a parte Psicológica. Muitos alunos de mestrado e doutorado enfrentam uma rotina de stress significativo determinado pelas múltiplas formas de pressão relativas ao seu desempenho. Isso resulta em  adoecimentos, estando a depressão como forma de adoecimento mais comum. Outros adoecimentos são: Alergias urticárias, insônias, ansiedade, síndrome do pânico, síndrome do impostor, queda de cabelo, suicídio dentre outros. Alguns motivos que levam estudantes a desencadearem esses sintomas são:• Pressão Interna pelo melhor desempenho acadêmico (Amigos de curso, familiares e principalmente a auto-cobrança elevada);• A má administração da vida pessoal e vida acadêmica (é preciso saber fazer esta gestão sem prejudicar nenhuma das partes);• Trabalhar e estudar (algo complicado. Isso principalmente para quem não tem bolsa de estudos. As questões financeiras podem gerar muito stress, pois muitos alunos desistem do curso por não terem condições financeiras de se dedicar aos estudos, bem como suprir a exigência do Orientador);• Cobrança por publicações de Artigos de alto impacto (em algumas universidades isso é um pré-requisito para concluir o curso);• Conflitos com o Orientador;Embora as universidades sejam tradicionalmente consideradas como ambientes de baixo estresse, o estresse entre os acadêmicos vem apresentando uma ascensão (Bozeman e Gaughan, 2011; Reevy e Deason, 2014). Alguns estudos sugerem que o estresse é mais prevalente em acadêmicos mais jovens (ver, por exemplo, Kinman, 2001). Nos últimos anos, percebemos que a mídia reporta cada vez mais testemunhos de depressão e ansiedade e exaustão emocional no ecossistema acadêmico. No entanto, a prevalência de problemas de saúde mental em registros oficiais permanece baixa. Por exemplo, em 2012 para o ensino superior no Reino Unido, apenas um em cada 500 indivíduos revelou um problema de saúde mental para a sua universidade (Shaw, 2015). A relutância em procurar ajuda é muitas vezes causada pelo medo do estigma, retaliação ou o impacto negativo esperado na carreira futura (OCDE, 2015).Uma pesquisa feita na Bélgica com estudantes de Pós-Graduação chamada de Work organization and mental health problems in PhD students”, publicada em Maio de 2017 no periódico Research Policy, do grupo Elsevier, apresentou que 32% dos estudantes de mestrado ou doutorado participantes estão em risco de desenvolver problemas psicológicos, em especialmente a depressão.  Algumas associações feitas aos problemas de saúde mental foram: a falta de tempo para família e amigos, a alta exigência em produção científica, o controle do tempo, o estilo de liderança do orientador e a percepção de uma difícil carreira depois da defesa da dissertação ou tese estão ligados a problemas de saúde mental.

Assim como em países de primeiro mundo, no Brasil os estudantes de mestrado e doutorado sofrem com a pressão que os diversos cursos cobram do mesmo. A pressão ou o grau de cobrança pode variar de acordo com o curso. Nós Ainda não temos a cultura de buscar ajudar para problemas psicológicos desencadeados nesta caminhada acadêmica, pois a nossa sociedade carrega consigo o estigma de taxar essas pessoas de “Loucos” ou algo neste sentido.  Por tal motivo, fica difícil mantermos ou obtermos dados oficiais sobre este problema.  Lembro que o Ato do Suicídio já é o último degrau dos problemas psicológicos não identificados ou não tratados. Isso fica claro quando lemos a matéria da USP que trata deste assunto e afirma que cerca de 90% dos suicídios são oriundos de transtornos mentais. Por este motivo, é importante o estudante buscar ajuda, falar com amigos ou familiares, falar com as pessoas com quem se sente a vontade para ajudá-lo. Uma dica importante para tentar fugir do stress, é achar uma atividade, um hobby que o faça se desconectar e esquecer um pouco o dia a dia estressante. O isolamento ou a dedicação desenfreada durante a pós-graduação pode causar danos irreparáveis ao longo do tempo. Por este motivo, eu aconselho a você que está lendo este post a aproveitar mais a vida, a buscar manter um relacionamento saudável, a se divertir com os familiares. Assista a um bom filme.  Encontre o seu botão de desconectar e faça isso pelo menos uma vez por semana. No próximo post iremos falar sobre a dimensão Social.  Se você gostou, compartilhe!

Até breve.

Ivaldir

Referencias

1-B. Bozeman, M. Gaughan. Job satisfaction among university faculty: individual, work and institutional determinants –  J. High. Educ., 82 (2) (2011), pp. 154-186

2-G.M. Reevy, G. Deason. Predictors of depression, stress, and anxiety among non-tenure track faculty – Front. Psychol. (2014). http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fpsyg.2014.00701/full

3-G. Kinman. Pressure points: a review of research on stressors and strains in UK academics –    Educ. Psychol., 21 (2001), pp. 473-492

4-Shaw, C., Ward, L., 2014. http://www.theguardian.com/higher-education-network/2014/mar/06/mental-health-academics-growing-problem-pressure-university

5-OECD. Fit Mind, Fit Job: From Evidence to Practice in Mental Health at Work, Mental Health at Work – OECD Publishing, Paris (2015). http://www.oecd-ilibrary.org/employment/fit-mind-fit-job_9789264228283-en

6-K. Levecque et al. Work organization and mental health problems in PhD students (2017). http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048733317300422

5 comments

  1. Muito bom e pertinente esse texto, apesar de ser um tema recorrente, o stress causado pela pressão psicológica nos programas de Mestrado e Doutorado devem tornar-se objeto de estudo, pois os desdobramentos desse stress (ansiedade e pressão) provoca o mais novo tipo de Neurose, A NEUROSE ACADÊMICA.

  2. Muito bom. Trata de uma realidade que na maioria das vezes não é divulgada. Nos fechamos tanto em nosso “mundinho” chamado pós-graduação, que nem percebemos que estamos negligenciando as nossas vidas. Temos que refletir sobre isso e tentar mudar esse comportamento.

  3. Excelente narrativa. Me lembrou meus momentos de espera do resultado do doutorado. Os conselhos sobre aproveitar os momentos com a família também são essenciais.

  4. O texto trata de questões que muitos esquecem, pois é preciso renunciar muita coisa. E acima de tudo ser persistente e agarrar aquele objetivo. Particularmente fiz meu mestrado dividindo o tempo entre empresa e academia. Não foi fácil. Muitas vezes eu ia assistir aula e ficava pensando no trabalho, Ia para a a empresa e ficava pensando no mestrado. Loucura!!! Rsrs
    Os desafios foram enfrentados, mas com o apoio de muitas pessoas consegui concluir. Agora no doutorado continuo na mesma situação, mas sei que irei vencer. Os desafios só nos tornam mais fortes.

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