UFPE e UFRPE serão contempladas com embarcação para ensino e pesquisa flutuante no Nordeste

A UFPE, em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), será contemplada com a aquisição de um navio para atividades flutuantes de ensino e pesquisa a ser utilizado por professores e estudantes dos cursos ligados à área das ciências do mar. A doação da embarcação, que deverá estar pronta até o final do próximo ano e atenderá a todas as universidades federais do Nordeste, é resultado de uma articulação junto ao Ministério da Educação (MEC), que teve início em 2006, a partir de estudo desenvolvido no âmbito da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), por meio do Grupo Experiência Embarcada, do PPG-Mar, constituído por representantes da UFRPE, Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

Foto: Divulgação-FURG

Navio semelhante será utilizado pela UFPE e universidades nordestinas

Segundo o reitor Anísio Brasileiro, que assinou o convênio junto ao MEC, o que determinou a escolha da UFPE e da UFRPE para coordenarem a atividade da embarcação na região foi o mérito acadêmico de ambas as instituições. “Contamos com cursos de referência nas ciências no mar, como Oceanografia, que é o segundo mais antigo do país, e, na Rural, há o curso pioneiro de Engenharia de Pesca no Brasil”, destacou. Anísio ainda ressaltou a importância da decisão, que vai possibilitar o atendimento às demandas das universidades do Nordeste, através de uma gestão acadêmica compartilhada. “Com a embarcação, a Universidade poderá incrementar a dinâmica de ensino e pesquisa, além de promover atividades de extensão, compartilhando com a sociedade os conhecimentos acadêmicos e, assim, ampliar as possibilidades de interface com o mercado”, afirma.

Segundo o professor e subchefe do Departamento de Oceanografia da UFPE, Alex Costa da Silva, a aquisição do navio vai suprir uma necessidade histórica dos cursos. “Nós dependemos de navios da Marinha e estrangeiros, que têm cronogramas de viagens próprios, o que dificultava muito o agendamentos das nossas missões acadêmicas”, explica. Também integrantes da equipe que vai gerenciar a atividade do navio, os professores Vanildo Souza de Oliveira e Flávia Lucena, de Engenharia de Pesca da UFRPE, reportaram a dificuldade que têm para atender às exigências acadêmicas dos estudantes cumprirem uma carga horária embarcados. “Além dessa questão institucional, ao viajarmos com alunos em navios que não eram da universidade estávamos sem o respaldo institucional, o que nos colocava em situação sem garantias de seguro”, afirma Vanildo.

Além de utilizar o navio para atividades embarcadas, o comitê gestor da embarcação avalia a possibilidade de disponibilizá-lo, quando estiver atracado, para visitas de alunos dos cursos de Engenharia. O professor Silvio Melo, da Engenharia Naval da UFPE, é um dos entusiastas com essa perspectiva. “Poder manter contato direto com uma embarcação, analisar sua estrutura, características e soluções construtivas será de grande importância para a formação dos nossos alunos, além de possibilitar o uso integral da embarcação para fins acadêmicos”, avalia.

FURG – Primeira a ser contemplada, a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) já recebeu um dos quatro navios (o Ciências do Mar I) que vão servir de Laboratório de Ensino Flutuante. A embarcação, projetada e construída no estaleiro Inace, em Fortaleza (CE), iniciou suas viagens na semana retrasada, permanecendo em Recife por alguns dias, e chegou ao Porto Velho de Rio Grande no início da semana passada. A escolha da FURG para coordenar todo o processo de elaboração do projeto e construção das novas embarcações deve-se ao pioneirismo da universidade na área e a experiência obtida com a atuação do Navio de pesquisa “Atlântico Sul”. O “Ciências do Mar I” passará a ser utilizado para ensino e pesquisa ligados à vida marinha, não só pela FURG, mas por todas as universidades da Região Sul (RS, SC e PR).

FICHA TÉCNICA – Conforme o estaleiro Inace, o “Ciências do Mar I” passou com sucesso pela fase de testes. Com 32m de comprimento total e 7,85m de boca, a embarcação é equipada com dois motores de 450 BHP de potência, cada um, de fabricação nacional. Atinge uma velocidade máxima de 11,4 nós, podendo manter uma velocidade de cruzeiro de 10 nós, com grande economia de combustível.

A embarcação dispõe de dois laboratórios e toda uma gama de instrumentos científicos, com receptores instalados em carenagens no fundo do casco, para investigar as camadas submersas do oceano e o leito marinho. É equipada com cinco guinchos e um guindaste, de capacidades diferentes, destinados a lançar e recolher coletores de amostras e efetuar operações de pesca.

O navio tem camarotes com capacidade total para o pernoite de 18 alunos e professores, além de acomodações para oito tripulantes. Possui amplo refeitório e uma sala de estar que podem ser utilizados para ministrar aulas e palestras. O passadiço (ponte de comando) é espaçoso, com visão a toda volta. A embarcação dispõe também de um segundo comando independente, voltado para o convés à ré, de onde pode ser totalmente comandada durante as operações que envolvam a utilização dos guinchos, ou na atracação. Este último recurso confere grande segurança para as operações.

Mais informações
Professor Alex Costa da Silva
alexsilvaufpe@gmail.com

Fonte: UFPE

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